Michael” destaca-se na música com o talento do sobrinho do cantor e evita controvérsias

A vida de Michael Jackson é tão fascinante que poderia ser retratada em um filme. Essa ideia se concretiza em Michael, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (23.04). Conhecido como o Rei do Pop, o artista possui um legado impressionante: vendeu cerca de 300 milhões de álbuns, conquistou 13 singles no primeiro lugar da Billboard, recebeu 13 prêmios Grammy e revolucionou a forma como os videoclipes são vistos, além de popularizar a dança urbana e quebrar barreiras culturais e raciais, sendo imitado em diversas partes do mundo.

O filme Michael tem uma abordagem interessante ao apresentar um longa-metragem que se assemelha a um grande show. As performances e clipes das músicas são exibidos na íntegra, proporcionando uma experiência emocionante tanto para os fãs nostálgicos quanto para aqueles que nunca tiveram a oportunidade de vê-lo ao vivo. Além disso, o filme revela um pouco do processo criativo do artista, que faleceu em 2009 aos 50 anos, interpretado neste projeto por seu sobrinho, Jaafar Jackson.

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Sob a direção de Antoine Fuqua (Dia de treinamento, lançado em 2001) e com roteiro assinado por John Logan (indicado ao Oscar por Gladiador, de 2000; O aviador, de 2004; e A invenção de Hugo Cabret, de 2011), o filme narra a história desde a formação do grupo Jackson 5 em 1965 até a apresentação marcante de Michael em Londres durante a turnê de Bad (1987), mostrando sua evolução pessoal e artística sob o domínio rígido do pai até sua afirmação como uma estrela independente.

No entanto, o longa pode deixar alguns espectadores confusos devido à sua abordagem superficial dos eventos da vida de Michael. Michael menciona brevemente o tratamento severo e os abusos sofridos nas mãos de seu pai Joseph (Colman Domingo), suas experiências cinematográficas com sua mãe Katherine (Nia Long) e seu amor pelos animais. Contudo, esses tópicos são abordados rapidamente. O filme também toca nas cirurgias plásticas e no vitiligo sem explorar as controvérsias que surgiram na época sobre suas implicações raciais. As acusações contra ele por abuso sexual infantil não são mencionadas, já que a narrativa se encerra antes desses acontecimentos.

Judah Edwards como Tito, Jaylen Hunter como Marlon, Juliano Krue Valdi como Michael, Nathaniel McIntyre como Jackie e Jayden Harville como Jermaine nos Jackson 5 em Michael
Foto: Lionsgate

Refilmagem Necessária

A produção de Michael começou com o apoio da família e dos responsáveis pelo legado do cantor até o ano de 1993, quando surgiram as primeiras acusações contra ele. Um acordo feito com os acusadores impediu que essa parte fosse mencionada em qualquer obra cinematográfica relacionada ao artista, conforme informado por uma publicação especializada.

Devido a essa restrição, foram necessários novos dias de filmagem adicionais — cerca de vinte e dois — com custo estimado entre US$10 milhões a US$15 milhões bancados pelo espólio do cantor. O longa termina com Michael apresentando Bad durante um show em Londres em 1988, destacando a escolha da produção por enfatizar sua música ao invés dos desafios pessoais do artista.

Adicionalmente, o projeto enfrentou atrasos devido à destruição causada pelos incêndios em Los Angeles em janeiro de 2025. A estreia inicial planejada para abril foi postergada para outubro antes da data final estabelecida. Existe ainda expectativa sobre novos filmes relacionados à trajetória do cantor, já que o corte original tinha três horas e meia enquanto o material finalizado ficou com pouco mais de duas horas.

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Jaafar Jackson como Michael na gravação do videoclipe Thriller
Foto: Glen Wilson

A Falta da Irmã Janet Jackson

Produzido por Graham King, </span<iMichael conta com contribuições dos administradores do espólio do cantor — incluindo John Branca (interpretrado por Miles Teller) e John McClain — além dos irmãos Jermaine, Tito, Jackie, Marlon e LaToya na equipe executiva. No entanto, Janet Jackson não faz aparição nem é mencionada no filme; ela também não participou das exibições promocionais. LaToya comentou que Janet foi convidada mas optou por não participar e merece respeito por isso. O diretor Antoine Fuqua ressaltou seu apreço pela irmã mais nova de Michael e afirmou que ela apoia Jaafar.

Dentre os filhos de Michael, apenas Prince esteve presente durante as filmagens diárias; Bigi e Paris não participaram e esta última criticou publicamente o filme alegando inverdades e distorções nos fatos retratados. Em suas redes sociais, Paris expressou que a película atende a um nicho específico dos admiradores do pai que preferem viver numa fantasia.

Jaafar como Michael durante a era do álbum Off the Wall (1979)
Foto: Glen Wilson

Sobrinho no Papel Principal

Jaafar Jackson foi escolhido para interpretar seu tio no longa-metragem. Com apenas29 anos, ele é filho de Jermaine Jackson — quarto filho entre os dez da família Jackson. Desde pequeno desenvolveu habilidades musicais e dançantes enquanto residia na casa familiar Hayvenhurst. Embora sem experiência anterior em atuação, dedicou dois anos para treinar sob orientação profissional além de ensaiar intensivamente os passos icônicos de Michael com coreógrafos renomados. Jaafar também teve acesso aos arquivos pessoais do cantor falecido quando ele tinha apenas treze anos; assim sendo sua relação próxima era limitada devido à mudança para Neverland onde fazia visitas esporádicas à antiga residência familiar. O trabalho final incluiu um cuidadoso trabalho do maquiador Bill Corso para realçar as semelhanças físicas entre eles.

Músicas Marcantes

A produção busca agradar aos fãs através das canções memoráveis da carreira musical de Michael. Juliano Valdi interpreta sucessos da infância do cantor como “ABC” e “I’ll be there”. A icônica performance da música “Bad” no Wembley Stadium em Londres em1988 foi uma das primeiras cenas gravadas durante as filmagens; além disso foi recriada a apresentação histórica da canção “Billie Jean” no especial </em<i“Motown25 : Yesterday , today , forever” , celebrando o aniversário da gravadora responsável pelo sucesso inicial dos Jacksons . O filme também mostra aspectos criativos envolvidos na produção do videoclipe “Beat It” assim como os bastidores da gravação <em<i“Thriller”.

A Moda Icônica

No momento em que se desvinculou das limitações impostas pela família e assumiu total controle sobre sua carreira artística , Michael se destacou por seu visual inconfundível . Seu estilo característico incluía luvas adornadas com lantejoulas , jaquetas militares , mocassins pretos acompanhados por meias brancas além dos famosos óculos aviador . A figurinista Marci Rodgers (responsável por <em<i“Infiltrado na Klan”) ficou encarregada da recriação desses looks emblemáticos . Para isso , visitou museus especializados bem como arquivos relacionados ao espólio , observando detalhadamente peças icônicas como jaqueta vermelha usada no videoclipe “Thriller”, desenhada por Marc Laurent . Ela também coletou informações sobre como foram feitos detalhes específicos dessas roupas , inclusive calças tingidas manualmente já que naquela época não existiam modelos vermelhos disponíveis comercialmente . A figurinista ainda produziu manualmente luvas semelhantes às utilizadas pelo cantor especialmente para Jaafar.

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