O Gop Tun teve suas origens como um grupo no Facebook, criado no início da década de 2010 por DJs que desejavam compartilhar suas músicas. Os fundadores, Caio Taborda (41 anos), Bruno Protti (37), Gui Scott (39) e Fernando Nascii (40), já tinham experiência em algumas das principais casas noturnas de São Paulo, como o extinto Bar Secreto e a D-Edge. Em 2012, decidiram organizar sua primeira festa em um casarão no Morumbi, que acomodava até 200 pessoas. Sem perceber na época, estavam iniciando um movimento que transformaria festas intimistas em grandes eventos em locais inusitados, frequentemente ao ar livre. Além do Gop Tun, outras iniciativas como Selvagem, Mamba Negra, Caps Lock e ODD também desempenharam papéis cruciais na cena noturna paulista durante os anos 2010.
LEIA MAIS: Com quase 25 anos da carreira, Eli Iwasa está em todo lugar
Palco da Gop na Virada Cultural de 2019.
Foto: Divulgação
O coletivo tem se destacado por promover festas em locais inusitados, como o heliponto do Hotel Maksoud, o antigo Playcenter e até mesmo uma estufa de plantas na Vila Madalena e o Estádio Canindé. A busca por espaços diferenciados se tornou uma característica marcante do grupo. “Sempre pensamos em criar festas como se fôssemos parte do público”, explica Caio à ELLE Brasil. “Com o tempo, nos tornamos uma referência para os amantes da música devido à nossa curadoria”, acrescenta Gui.
Depois de quatorze anos desde sua fundação, o grupo é responsável pelo Gop Tun Festival, considerado um dos mais importantes festivais de música eletrônica do país. A estreia ocorreu em 2022 para celebrar a década das festas do coletivo e foi realizada no Canindé. Este ano marcará a estreia em um novo local: o Estádio do Pacaembu será o cenário do evento nos dias 11 e 12 de abril. O festival contará com três pistas e uma programação diversificada com mais de 30 artistas nacionais e internacionais, incluindo Jayda G, Optimo, Mount Kimbie, Yu Su, Paulete Lindacelva e Omoloko.
Gui e Caio compartilharam suas reflexões sobre a trajetória do coletivo, os desafios de viver da música eletrônica no Brasil e suas expectativas para o festival:
LEIA MAIS: Jamie xx em uma nova onda
Festa na Bahia, em 2019.
Foto: Divulgação
A origem do projeto
“Criamos um grupo no Facebook há cerca de 16 anos para trocar tracks. Começamos com sete pessoas que se conheceram virtualmente. O espaço evoluiu de uma página privada para um ambiente aberto onde discutíamos sobre festas e música… Cada membro já tinha seu próprio espaço para se apresentar. Nossa união foi motivada pela paixão por um estilo musical alternativo que não era facilmente encontrado nas baladas. Assim percebemos que havia um público interessado e decidimos organizar uma festa. Nossa primeira experiência foi em 2012 como uma house party. Com o passar dos anos alguns membros saíram e hoje somos apenas nós quatro”, relembra Caio.
A programação anual da Gop Tun
“Atualmente realizamos três eventos fixos ao longo do ano: o Carnaval de São Paulo sempre no sábado do feriado; o Prefixo de Verão que acontece em Salvador no mês de janeiro; e nosso festival que ocorre em abril e exige mais planejamento. Normalmente começamos a definir os artistas convidados entre junho ou julho (do ano anterior) para contatá-los visando ter a programação fechada até outubro. A divulgação dos eventos começa em novembro. O Carnaval e o Prefixo são mais simples de organizar. No segundo semestre deixamos nosso calendário mais flexível para agendarmos nossas apresentações como DJs (os fundadores se apresentam tanto individualmente quanto coletivamente com a Gop Tun no Brasil e fora)”, detalha Gui.
Festival Dekmantel (produzido pela Gop Tun) no Playcenter, em 2018.
Foto: Divulgação
A motivação por trás do festival
“Durante o auge da cena eletrônica paulistana (entre os anos de 2014 e 2019) havia três festas noturnas simultâneas atraindo mais de duas mil pessoas cada uma delas. Algumas dessas festas já apresentavam características típicas dos festivais. A ideia inicial surgiu quando organizamos o Festival Dekmantel em 2017 aqui no Brasil – foi a primeira edição fora da Holanda. Desde então outros produtores perceberam que poderiam expandir seus eventos para formatos maiores. No entanto, existe uma diferença significativa entre realizar um evento com três palcos na Fabriketa (um espaço famoso por suas festas em São Paulo) e montar um festival completo no Canindé como fizemos nos primeiros anos”, explica Caio. “Aprendemos tudo através da prática”, complementa Gui.
A evolução da audiência
“Certamente houve mudanças ao longo do tempo. Nós também estamos envelhecendo; é natural essa transformação ao longo dos anos. O público jovem atualmente possui interesses variados mas ainda buscamos atrair essa faixa etária às nossas festas”, observa Caio. Gui complementa afirmando que “O festival Gop Tun é bastante diverso e reúne diferentes tipos de pessoas. De certo modo não atraímos apenas jovens muito novos; porém sabemos que nos tornamos uma referência entre os aficionados por música eletrônica e isso influencia bastante nosso público.”
É viável viver da música eletrônica no Brasil?
“Sim conseguimos viver disso mas não é algo fácil. Atualmente precisamos manter uma agenda cheia com diversos eventos além das gigs que exigem muito trabalho ao longo da semana inteira. Diria que é extremamente desafiador viver apenas como DJ”, afirma Caio.
Valenttina Luz no palco do Carnaval da Gop, em 2023.
Foto: Divulgação
Momentos marcantes na história da Gop Tun
“A apresentação do Nicolas Jaar no ano passado com sua banda foi inesquecível assim como a performance do Jamie XX na Ópera de Arame em Curitiba prevista para 2024”, recorda Caio. Para Gui, os shows memoráveis incluem Jeff Mills programado para 2024, além de Hermeto Paschoal apresentado em 2017.
Expectativas para o Gop Tun Festival em 2026
“Queremos aproveitar ao máximo! O Óptimo promete ser especial encerrando as atividades do último dia”, detalha Gui animadamente. “Estamos ansiosos pelas apresentações do colombiano Felipe Gordon assim como das DJs Steffi e Virginia além de Tayuka Nakamura, Yu Su e a performance B2B entre Verraco e RHR… Criamos este festival baseado nas nossas preferências pessoais então estamos muito entusiasmados!”, conclui Caio.
Leia mais: Mulheres no front: conheça três DJs que vão tocar no Gop Tun Festival
