Sobrinho de cantor estrela ‘Michael’, uma obra musical que evita controvérsias

A história musical de Michael Jackson é tão impressionante que poderia ser retratada em um filme. Isso se torna evidente em Michael, que chega às telonas brasileiras nesta quinta-feira (23.04). O artista, conhecido como Rei do Pop, realmente merece o título: sua discografia vendeu cerca de 300 milhões de cópias, ele alcançou o primeiro lugar com 13 singles na Billboard, conquistou 13 Grammys e revolucionou o mundo dos videoclipes. Além disso, popularizou a dança de rua e quebrou barreiras culturais e raciais, sendo imitado globalmente.

Neste sentido, Michael se destaca como um longa-metragem essencialmente musical, apresentando as canções em forma de show ou videoclipe na íntegra. Essa abordagem toca o coração dos fãs nostálgicos e daqueles que nunca tiveram a oportunidade de assisti-lo ao vivo. O filme também revela um pouco do processo criativo do cantor, falecido em 2009 aos 50 anos, interpretado por seu sobrinho, Jaafar Jackson.

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Sob a direção de Antoine Fuqua (Dia de treinamento) e com roteiro de John Logan (indicado ao Oscar por Gladiador, O aviador e A invenção de Hugo Cabret), o filme inicia-se com a formação do grupo Jackson 5 em 1965, quando Michael ainda era criança — essa fase é vivida por Juliano Krue Valdi. A produção abrange desde o início da carreira solo de Michael até seu desempenho em Londres durante a turnê de Bad em 1988, retratando sua evolução desde a rígida figura paterna até sua afirmação como uma estrela versátil e independente.

Entretanto, o filme aborda a história de forma superficial, o que pode deixar alguns espectadores confusos. Michael menciona brevemente o tratamento abusivo que recebeu do pai, Joseph (Colman Domingo), assim como momentos com sua mãe Katherine (Nia Long) e seu amor pelos animais. No entanto, esses tópicos são tratados rapidamente. Embora mencione cirurgias plásticas e vitiligo, não se aprofunda nas controvérsias geradas na época sobre questões raciais. O longa não aborda as acusações de abuso sexual infantil contra Michael, já que termina antes desses eventos surgirem.

Judah Edwards como Tito, Jaylen Hunter como Marlon, Juliano Krue Valdi como Michael, Nathaniel McIntyre como Jackie e Jayden Harville como Jermaine nos Jackson 5 no filme Michael.
Foto: Lionsgate

Refilmagem Necessária

Inicialmente, a narrativa de Michael deveria abranger até o ano de 1993, quando surgiram as primeiras acusações contra ele. Contudo, um acordo feito com os acusadores impediu que esse tema fosse mencionado no filme, conforme informações divulgadas.

Por conta disso, foi necessário realizar novas filmagens. Foram investidos entre US$10 milhões a US$15 milhões em mais de três semanas adicionais de gravações pagas pelo espólio do cantor. O longa-metragem conclui com uma apresentação emblemática de Michael no palco durante o show Bad em Londres em 1988, reforçando a decisão da produção em priorizar os aspectos musicais à frente das turbulências pessoais do artista.

A produção enfrentou atrasos adicionais devido a danos na residência do roteirista ocasionados por incêndios em Los Angeles em 2025. Com isso, o lançamento previsto para abril daquele ano foi transferido para outubro antes da data final estabelecida. Existe a expectativa para novos filmes relacionados ao artista, visto que o corte original tinha uma duração aproximada de três horas e meia enquanto o produto final ficou pouco acima das duas horas.

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Jaafar Jackson como Michael na gravação do clipe “Thriller”.
Foto: Glen Wilson

A ausência de Janet Jackson

Com produção assinada por Graham King e devido às refilmagens necessárias, os representantes do espólio do cantor — incluindo John Branca (interpretado por Miles Teller) e John McClain — foram creditados na obra. Os irmãos Jermaine, Tito, Jackie, Marlon e LaToya também atuaram como produtores executivos. Porém, Janet Jackson não aparece nem é mencionada no filme; além disso, ela não participou dos eventos promocionais. LaToya afirmou que ela havia sido convidada mas optou por não participar e pediu respeito por sua decisão. O diretor Antoine Fuqua comentou sobre seu respeito por Janet e reforçou que ela apoia Jaafar.

Entre os filhos de Michael Jackson, apenas Prince esteve presente diariamente no set durante as filmagens; Bigi e Paris não participaram do projeto. Paris expressou suas críticas à produção nas redes sociais ao afirmar que existem “imprecisões” e “mentiras”. Em um vídeo postado online, ela mencionou que “o filme atende a um público muito específico dos fãs do meu pai que permanecem nesse mundo fantasioso”. Assim sendo, eles provavelmente apreciarão essa versão cinematográfica.

Jaafar Jackson interpretando Michael durante a época do álbum Off The Wall (1979).
Foto: Glen Wilson

O sobrinho no papel principal

Por outro lado, Jaafar foi escolhido para interpretar seu tio no filme. Com apenas 29 anos e filho de Jermaine — um dos dez filhos do casal Joe e Katherine — ele cresceu envolvido na música e dança desde pequeno. A primeira residência da família foi em Hayvenhurst onde todos moraram juntos. Apesar da falta de experiência anterior como ator formalmente treinado durante dois anos sob orientação profissional para desenvolver suas habilidades interpretativas e aprendendo os passos característicos de Michael com os coreógrafos Rich e Tone Talauega; teve acesso aos arquivos pessoais do cantor para melhor compor seu personagem — embora tenha perdido Michael quando tinha apenas treze anos.

As músicas

A proposta do filme é agradar aos admiradores da carreira musical de Michael através das suas canções icônicas. Juliano Valdi interpreta clássicos da infância musical do artista como “ABC” e “I’ll Be There”. A performance marcante da canção “Bad”, gravada no estádio Wembley em Londres em1988 — mesmo sendo uma das primeiras cenas filmadas com figurantes — encerra a produção. Além disso,a recriação da apresentação de “Billie Jean” feita no especial Motown25 – Yesterday Today Forever, celebra o aniversário da gravadora responsável pelo sucesso inicial dos Jacksons.

O figurino icônico

No momento em que conseguiu se desvincular das amarras familiares para assumir sua própria carreira artística,Micheal se consagrou por seu visual inconfundível.Como parte desse legado estão presentes a famosa luva coberta por lantejoulas,jáquetas militares,o clássico mocassim preto acompanhado pelas meias brancas,e óculos estilo aviador.A figurinista Marci Rodgers (responsável pelo trabalho em Infiltrado na Klan) encarregou-se da recriação desses looks icônicos.A fim de preservar a autenticidade,equipe visitou o Museu Grammy juntamente aos arquivos do espólio para observar detalhes da jaqueta vermelha utilizada no videoclipe “Thriller”, confeccionada por Marc Laurent.Ao medir as peças foram observados detalhes minuciosos,sendo inclusive necessário tingir à mão algumas peças originais devido à escassez no mercado.A figurinista também produziu manualmente as luvas utilizadas por Jaafar seguindo as diretrizes originais.

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