Rochelle Jordan desembarca no Brasil com seu house para agitar o Zig Festival

Rochelle Jordan imagina que cada performance sua se transforma em uma grande festa disco moderna, onde a audiência se entrega à dança. Assim, faz todo sentido que sua estreia no Brasil aconteça durante o Zig Festival, promovido pelo clube noturno Zig, um espaço LGBTQIA+ renomado em São Paulo, conhecido por apresentar artistas como Charli xcx, Romy (The xx), Lykke Li, Shygirl e Katseye.

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“Normalmente, não busco muitas informações sobre os locais onde me apresento para evitar criar expectativas, mas estou empolgada para celebrar no Brasil. Adorei conhecer a história do Zig”, disse ela com entusiasmo durante uma entrevista à ELLE Brasil após ouvir um resumo sobre o clube.

Ela é uma das atrações principais do festival ao lado da americana Slayyyter, prometendo agitar o público nos dias 9 e 10 de outubro, primeiro no Rio de Janeiro e depois em São Paulo (onde os ingressos estão esgotados), trazendo um repertório que mistura house, UK garage, soul, dancehall, pop e R&B. “Embora eu não esteja em uma festa enquanto compongo e gravo minhas músicas, consigo imaginar uma e isso se reflete no que faço.”

Com raízes jamaicanas, Rochelle nasceu na Inglaterra e foi criada no Canadá. Seu álbum de estreia, 1021, foi lançado em 2014 com uma pegada mais voltada ao R&B experimental. No entanto, devido a problemas com sua gravadora e questões de saúde ligadas à anemia falciforme e depressão, ela pausou sua carreira por sete anos antes de retornar com novas produções.


Foto: Amanda Elise K

Os álbuns Play with the changes (2021) e Through the wall (2025) reposicionaram Rochelle como uma nova musa da música dance, recebendo elogios da crítica especializada como Pitchfork, que a definiu como “diva do after-hours com a habilidade de Janet Jackson e a graça de Diana Ross”. Além disso, colaborou com artistas como Kaytranada e Mariah Carey; recentemente fez um remix da faixa “Didn’t mean to turn you on” como parte das comemorações pelos 25 anos do álbum Glitter (2001) da artista americana.

“Não existe idade limite para o sucesso. Eu sou um exemplo de mulher que encontrou seu espaço na música mais tarde na vida e tenho muito orgulho disso. Minha carreira não deslanchou instantaneamente”, afirma ela serenamente enquanto se aproxima dos 37 anos.

Em conversa com a ELLE, Rochelle também discute sua colaboração com Mariah Carey e as influências que moldaram sua carreira musical e estilo pessoal.

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Foto: Divulgação

A Influência Feminina na Música

“Na minha infância, meu irmão costumava tocar músicas raras e lados B de house no quarto vizinho. Cresci imersa nesse som e amava os álbuns de house gospel, jungle e drum’n’bass com vocalistas incríveis que se destacavam sobre batidas aceleradas. Mais tarde me apaixonei pelo pop e R&B também – desde Spice Girls até Mary J. Blige – além do DJ Deadmau5. Quando comecei a produzir minhas próprias canções em 2009, minha veia R&B prevaleceu. Sempre soube que um dia retornaria ao estilo musical que me influenciou tanto.”

A Nova Era do House Music

“Sinto um grande orgulho em fazer parte desse cenário musical. O house surgiu através de artistas negros e racializados como Frankie Knuckles (considerado o padrinho do gênero eletrônico moderno desde os anos finais da década de 1970), mas acabou sendo apropriado por outros grupos. Há tempos lutamos para reintegrar essa representação na música eletrônica contemporânea. Hoje vemos cada vez mais mulheres artistas assumindo esse espaço – desde Azealia Banks até Aluna e Kelela. Acredito firmemente que a evolução da música eletrônica depende da inclusão e diversidade cultural; somente assim conseguimos avançar.”

O Retorno das Festas

“A pandemia nos fez perceber o quanto é valioso estarmos juntos desfrutando nossa liberdade e conexão. Isso impulsionou ainda mais a cena noturna no final de 2021 e ganhou força novamente em 2023. Minha música se alinha perfeitamente a essa nova onda. Levei seis anos para desenvolver as canções do álbum Play with the changes e quando finalmente foi lançado em 2021, as pessoas estavam prontas para abraçar essa sonoridade dançante.”

“A Mariah Carey é minha mãe! Você pode sentir isso na minha voz”

Um Encontro entre Divas

“A Mariah Carey é minha mãe! Essa influência é clara na minha voz. Quando vi pela primeira vez o videoclipe de ‘Honey’ (1997), fiquei completamente encantada pela artista desconhecida para mim naquela época; meu coração parou! Assim você pode imaginar minha reação ao receber um convite por email para remixar uma música dela junto ao KLSH (produtor musical associado a Rochelle), embora remix geralmente remeta a BPMs altos; buscamos algo diferente ao nos inspirar em outras canções dela como ‘Honey’. Não esperávamos que ela gostasse da demo logo de cara, mas ela adorou! Isso foi o maior elogio que poderia receber. Esta colaboração foi uma grande conquista na minha carreira.”

Estilo Marcante:

“Passei por diversas fases estilísticas – indie desajeitada, grunge… Hoje aprecio um visual mais clássico e elegante com silhuetas esculturais. Tenho vivido tantas experiências pessoais e profissionais; quando penso em uma mulher confiante que possui autoconhecimento visualizo as silhuetas icônicas da Mugler dos anos 90 – ombros marcados combinados às saias lápis trazem uma estética feminina única! Também adoro o estilo chic da Hilary Banks em (O maluco do pedaço (1990-1996)) , além das peças-chave da Chanel que ela usa. Mas acredito firmemente que estilo é algo espiritual proveniente do interior; portanto priorizo sempre destacar aquilo que amo em mim mesma ao escolher minhas roupas – cabelão solto ou minissaia mostrando pernas… Eu amo minhas pernas – obrigada mãe!”

Zig Festival: Realização nos dias 9 de outubro no Rio de Janeiro e no dia seguinte em São Paulo.
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