Pela primeira vez em sua trajetória, a Chanel permitiu que seu ateliê fosse utilizado para as filmagens de um longa-metragem de ficção. O filme, intitulado Vidas entrelaçadas e dirigido por Alice Winocour, é uma obra que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16.04) e retrata os bastidores da semana de moda de Paris sob a perspectiva de três personagens principais: a cineasta Maxine (Angelina Jolie), a jovem modelo Ada (Anyier Anei) e a maquiadora Christine (Ella Rumpf).
Na narrativa, Maxine, que se dedica à produção de filmes de terror independentes nos EUA, viaja a Paris com o intuito de dirigir um curta-metragem que abrirá um desfile de uma marca não identificada no filme. Enfrentando um divórcio, dificuldades na relação com sua filha adolescente e as pressões do trabalho, ela acaba recebendo um diagnóstico de câncer.
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Ada é uma jovem do Sudão do Sul que recentemente se transferiu do Quênia, onde sua família buscou refúgio devido ao conflito em seu país natal. Ela está prestes a estrear no curta-metragem e abrir o desfile da marca, mas ainda hesita sobre sua carreira como modelo. Por outro lado, Christine tenta equilibrar suas ambições como escritora em meio ao estressante e competitivo mundo da moda.
As vidas dessas três mulheres se cruzam de forma delicada, revelando momentos sutis de solidariedade e empatia. Angelina Jolie comentou sobre o significado dessa experiência ao trabalhar com tantas mulheres: “Quando mulheres se unem assim, é algo especial”, afirmou ao Los Angeles Times. “Isso não foi comum na minha vida. Perdi minha mãe cedo e agora vivencio isso com minhas filhas. É algo realmente especial. Valorizo muito essa conexão com outras mulheres.”
Angelina Jolie e Louis Garrel como a cineasta e o diretor de fotografia do curta-metragem Vidas entrelaçadas
Foto: Divulgação
Para Ella Rumpf, Vidas entrelaçadas revela um aspecto pouco explorado desse ambiente. “A competição pode ser intensa e há comportamentos pouco generosos retratados nos filmes, mas também existem compaixão e apoio inesperado”, declarou ao mesmo veículo. “É crucial abordar isso nos dias atuais, quando há tantas desconfianças entre as pessoas. Mostrar que emoção, compaixão e empatia são partes essenciais do ser humano é fundamental.”
O filme destaca apenas duas figuras masculinas significativas: Louis Garrel interpreta o diretor de fotografia do curta-metragem e vive um romance com Maxine, enquanto Vincent Lindon assume o papel do médico que atende a diretora em Paris.
Inspirado em experiências reais
Desde o início do projeto, Alice Winocour teve Angelina Jolie em mente para interpretar Maxine. A atriz passou por uma dupla mastectomia preventiva em 2013 após descobrir ter o mesmo gene associado ao câncer que levou à morte sua mãe e avó. Assim como sua personagem, Maxine é uma americana filha de uma francesa. A atriz teve que aprender francês para atuar em Vidas entrelaçadas. Para ela, o filme é profundamente pessoal. “Achei bonito mostrar como alguém lida com essa situação desafiadora. Todos já passaram por momentos em que não sabem se conseguirão superar”, disse ao site Deadline.
A trajetória de Ada também reflete a história pessoal de Anyier Anei. Ambas são oriundas do Sudão do Sul e cresceram no Quênia. While Anyier resistiu por anos aos convites para ser modelo devido à desaprovação paterna, acabou optando pela carreira após informar ao pai que iria estudar Farmácia em Paris como parte de um intercâmbio.
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Ella Rumpf como Christine e Anyier Anei em cena do filme
Foto: Divulgação
Explorando os bastidores da moda
Alice Winocour iniciou seu projeto sem muito conhecimento prévio sobre o mundo da moda. Seu interesse surgiu da relação com a passagem do tempo, já que a indústria é caracterizada pela constante busca contra ele. “Este filme aborda a fragilidade da vida”, explicou ao Deadline.
Durante mais de um ano, ela se dedicou à pesquisa sobre o tema. A colaboração com a Chanel foi essencial para sua visão criativa. Ao invés de focar nos designers predominantes no setor — geralmente homens — Alice preferiu destacar as mulheres que fazem parte das operações diárias dos desfiles e coleções, conversando com maquiadoras, costureiras e modelos. Para garantir uma abordagem fictícia da história, nenhum logotipo da Chanel foi incluído nas filmagens.
“Eles abriram suas portas para nós filmarmos dentro do ateliê e na icônica escadaria espelhada. Recebemos total suporte”, relatou Alice à revista Screen International. Segundo ela, ficou conhecida como “a diretora curiosa” devido às inúmeras perguntas feitas durante as filmagens.
Louis Garrel e Angelina Jolie no filme
Foto: Divulgação
Em nota oficial, a marca expressou seu orgulho em apoiar a produção de Vidas entrelaçadas, ressaltando que o filme revela os bastidores da moda e destaca aqueles que contribuem para sua realização, além de refletir valores fundamentais da maison através da exploração da feminilidade e emancipação.
Pascaline Chavanne foi responsável pelos figurinos do longa-metragem e optou por criar looks atemporais para evitar qualquer sensação datada na obra. O estilo da personagem Maxine foi inspirado na própria Alice Winocour, apresentando peças minimalistas predominantemente em preto.
Para as cenas do desfile, foram selecionados dez looks dos arquivos da Chanel que foram adaptados ou reproduzidos em diferentes cores e tecidos leves para proporcionar o efeito desejado durante uma cena marcada por tempestades. Nenhuma peça exibia logomarcas visíveis da marca francesa; os acessórios utilizados também pertencem à Chanel.
Os produtos cosméticos utilizados nas filmagens eram todos da Chanel , com alguns maquiadores da marca aparecendo nas cenas finais. Além disso, Ella Rumpf teve a oportunidade de estagiar sob orientação da maquiadora Elsa Durrens para garantir autenticidade ao filme enquanto mantinha liberdade criativa nas narrativas fictícias.
