Aniversário de 20 anos de ‘Maria Antonieta’: livro, exposição e documentário celebram a obra de Sofia Coppola

O filme Maria Antonieta, que chegou às telas em 2006, foi alvo de críticas que o consideraram superficial, sem uma análise política adequada e excessivamente centrado em sapatos, festas e doces. Sob a direção e roteiro de Sofia Coppola, que havia conquistado o Oscar com Encontros e desencontros (2003), a obra fez sua estreia no Festival de Cannes, onde recebeu vaias e uma recepção mista. Contudo, com o passar do tempo, essa interpretação rock ‘n’ roll da vida da última rainha da França, vivida por Kirsten Dunst, conseguiu atrair novos admiradores e se consolidou como um clássico cult.

LEIA MAIS: Dores de crescimento: os dilemas da vida adulta no cinema e na TV

Sofia Coppola buscou inspiração em suas obras favoritas de dramas históricos e cinebiografias, como Lisztomania (1975) de Ken Russell e Amadeus (1984), dirigido por Milos Forman. O roteiro foi baseado no livro Marie Antoinette: The Journey (2001), escrito por Antonia Fraser, o qual traça um retrato pessoal da rainha, abordando seu isolamento, as limitações impostas pela corte e suas tentativas de fuga. O elenco inclui Jason Schwartzman como Luís XVI, além de Jamie Dornan, Rose Byrne, Marianne Faithfull, Rip Torn e Molly Shannon.

A diretora teve a oportunidade de filmar no Palácio de Versalhes, local onde a rainha viveu (1755-1793) e que se casou aos 14 anos. Ela assumiu o trono aos 18 anos e foi executada aos 37. O trabalho de figurino rendeu à designer italiana Milena Canonero seu terceiro Oscar. Um aspecto notável do filme foi a trilha sonora anacrônica que mescla músicas de Siouxsie and the Banshees, New Order, The Cure e The Strokes, representando o pós-punk e o indie rock dos anos 1980 e início dos anos 2000.

Para celebrar os vinte anos do filme em outubro, Maria Antonieta recebeu uma restauração em 4K realizada pela Sony Pictures Entertainment em parceria com a American Zoetrope (produtora fundada por Francis Ford Coppola e George Lucas). A comemoração inclui um livro fotográfico, um documentário e uma exposição. Confira mais detalhes:

Kirsten Dunst e Jason Schwartzman nos bastidores do filme.
Foto: Andrew Durham/Mack

O livro

O fotógrafo Andrew Durham apresenta seu acervo de fotos dos bastidores do longa-metragem em Making Marie Antoinette lançado em julho pela Mack e Fundação Cartier. Amigo próximo de Sofia Coppola, Andrew teve acesso exclusivo às filmagens e capturou mais de 1800 imagens utilizando sua câmera analógica.

Com uma coleção única que abrange desde os grandiosos cenários de Versalhes até momentos íntimos no set – incluindo ajustes de figurino e maquiagem – o livro também revela situações divertidas como os atores caracterizados pilotando uma moto ou usando um notebook durante as pausas.

Além disso, Making Marie Antoinette ilustra como a visão estética de Sofia foi elaborada nos bastidores entre perucas, vestidos delicados em tons pastel que influenciaram a moda na época do lançamento.

Uma publicação compartilhada por ELLE Brasil (@ellebrasil)

LEIA MAIS Balaclava Records – De banda a núcleo indie

O documentário

Intitulado como o livro que originou o projeto, um documentário dirigido por Eleanor Coppola – mãe de Sofia – também oferece uma perspectiva dos bastidores da produção. Durante as filmagens , Eleanor acompanhou sua filha com uma câmera , registrando aproximadamente oitenta horas de material que retrata não apenas a experiência dela como jovem cineasta mas também as dinâmicas familiares.

A gravação permaneceu inexplorada por muitos anos até ser revisitada por ambas durante a pandemia . Após o falecimento de Eleanor , Sofia decidiu honrar o desejo da mãe ao transformar essas imagens em um documentário que será exibido nos cinemas em outubro antes de estrear na plataforma MUBI no Brasil no dia seis de novembro.

“Minha mãe sempre sonhou em fazer algo com essas gravações. Ela estava lá tanto como cineasta quanto como mãe , então revisar esse material foi emocionante”, compartilhou Sofia com a imprensa . “Pode parecer sentimental , mas me alegra poder prestar essa homenagem dessa maneira”, relatou à ELLE US.

A diretora Sofia Coppola dirigiu seu terceiro longa aos trinta quatro anos.
Foto : Andrew Durham/Mack

A Exposição

Até vinte quatro de janeiro dois mil e vinte sete , o Petit Trianon localizado no Palácio de Versalhes abriga uma exposição especial em homenagem aos vinte anos do filme Maria Antonieta . Este espaço era usado pela rainha para encontros mais pessoais com amigos enquanto servia também como cenário para várias cenas do longa .

A mostra apresenta todo o processo criativo da produção,e reúne figurinos originais criados por Milena Canonero , objetos utilizados nas filmagens , storyboards , roteiros anotados , fotografias dos bastidores além dos desenhos cenográficos . O evento ainda conta com exibições das cenas do filme nos próprios locais onde foram filmadas . A inauguração foi marcada por uma grande festa que contou com a presença do elenco e apresentações do New Order.