O homem que eu nunca aprendi a ser

Por 26 anos, fui percebida socialmente como mulher.

Portanto, quando alguém levanta questões sobre masculinidade, sinto que minha perspectiva é bem distinta. Tenho consciência de diversas facetas deste debate. Por exemplo, já experimentei a avaliação do corpo antes da análise das habilidades. Sei como é expressar uma ideia em uma reunião e notar que ela só é valorizada quando um homem a repete. Também entendo o cálculo necessário para retornar para casa, pois o receio de andar sozinha na rua nunca se limitou apenas ao medo de assaltos.

Após minha transição, especialmente por ter uma passabilidade elevada e as pessoas frequentemente não perceberem que sou trans, notei uma mudança clara na maneira como sou tratado.

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