O sucesso radiante de Luana Silva

Nos últimos onze anos, o Brasil se destacou no surf mundial, acumulando oito títulos de campeões e conquistando três medalhas olímpicas. O país, tradicionalmente conhecido pelo futebol, agora brilha nas ondas com atletas como Gabriel Medina, Italo Ferreira, Filipe Toledo, Adriano de Souza e Yago Dora, que formam uma geração apelidada de Brazilian Storm.

No entanto, a presença feminina estava ausente nesse cenário. Enquanto nomes como Jaqueline Silva (vice-campeã mundial em 2002) e Silvana Lima (vice nos mundiais de 2008 e 2009) abriram caminho, Tatiana Weston-Webb (vice-campeã mundial em 2021 e medalhista de prata na Olimpíada de 2024) e Luana Silva vêm se destacando nos últimos anos.

No início deste ano, Luana, atleta de apenas 22 anos, chegou ao topo do ranking mundial após participar de duas finais nas três primeiras etapas do circuito. A jovem surfista ficou tão surpreendida com a notícia que precisou confirmar várias vezes com um repórter para acreditar. Junto a Medina, ela conquistou a Tríplice Coroa Australiana, um prêmio concedido ao surfista que acumula mais pontos nas competições realizadas na Austrália. Atualmente, Luana ocupa a quarta posição no circuito e continua lutando pelo título mundial.


Em vídeos dos bastidores do circuito, Luana é frequentemente vista como uma irmã mais nova da geração campeã. Uma foto dela criança com Medina viralizou recentemente. Agora ela compete contra ídolos que decoravam as paredes de seu quarto durante a infância, como a pentacampeã mundial Carissa Moore e a octacampeã australiana Stephanie Gilmore.

Filha de brasileiros, Luana nasceu e cresceu no Havaí. Em sua primeira temporada no circuito mundial (2022), representou o arquipélago havaiano. Contudo, impactada pelo apoio dos torcedores brasileiros e pela chance de representar o Brasil na Olimpíada de 2024 (onde terminou em quinto lugar), decidiu adotar a bandeira verde e amarela. Esse foi o mesmo caminho trilhado por Tatiana Weston-Webb, que nasceu no Brasil mas se mudou para o Havaí ainda bebê.

Luana conta com uma forte rede de apoio formada por outros brasileiros: seu técnico é Leandro Dora – pai de Yago e também treinador de Ítalo Ferreira e Matheus Herdy – além do suporte contínuo da equipe do Comitê Olímpico Brasileiro durante sua preparação.

Competir no circuito mundial significa viajar por diversas partes do mundo entre abril e dezembro. “Tento não sentir saudade de casa demais e aproveito cada viagem e cada novo lugar ao máximo. Sei que isso não vai durar para sempre”, comenta Luana.

Em sua residência na ilha de Oahu, no Havaí, ela conversou com a ELLE entre as etapas do circuito. Fluente em português, às vezes se confunde com algumas expressões locais, como “fogo no olho” (que usa em vez de “sangue”), fazendo disso seu lema.

LEIA MAIS: Mariana Becker: “Onde tem gente, tem história”

Luana em Bells Beach, na Austrália
Foto: Henrique Pinguim

Crescendo no Havaí

“Meus pais eram da mesma cidade (Recife); minha mãe sabia quem meu pai era e ele também já tinha ouvido falar dela. No entanto, eles se conheceram na Indonésia. Após seis meses juntos, mudaram-se para os Estados Unidos para trabalhar e passaram férias no Havaí. Apaixonaram-se pelo estilo de vida simples da ilha e decidiram ficar. Meu pai surfa enquanto minha mãe pratica bodyboard ocasionalmente. Ambos sempre foram apaixonados pelo mar; essa conexão entre eles foi fundamental.”

As primeiras experiências nas ondas

Lembro que surfei minha primeira onda por volta dos três ou quatro anos. Meus pais me ensinaram a surfar empurrando-me suavemente nas pequenas ondas. Essa experiência foi influenciada pelo estilo de vida aqui; íamos à praia todos os dias para nadar porque era perto de casa. Com sete anos, eu ia direto da escola para a praia até escurecer e voltava para casa apenas para repetir tudo novamente no dia seguinte.”

“Aos 12 anos conquistei meu primeiro campeonato nacional e disse aos meus pais que não queria parar”

O trajeto rumo ao profissionalismo no surf


“Percebemos que o surf era mais do que um simples passatempo quando meu pai começou a me inscrever em competições aos oito ou dez anos. Sempre fui competitiva e aos doze anos ganhei meu primeiro campeonato nacional; nesse dia declarei aos meus pais que não queria desistir. Sempre sonhei em ser campeã mundial e competir no CT (championship tour) ao lado das melhores surfistas do mundo – incluindo Carissa Moore e Stephanie Gilmore. Essa geração sempre me inspirou quando era pequena; eu tinha pôsteres delas na parede do meu quarto. Agora estou vivendo meus sonhos competindo ao lado delas (Carissa e Stephanie continuam ativas no circuito).

Confrontando ídolos nas competições

“No meu primeiro ano competindo no CT, eu mal conseguia acreditar quando via elas na água; tremia só de estar próxima delas numa competição! Mas amadureci desde então; hoje vejo-as como concorrentes mais do que como minhas heroínas. Dentro d’água somos iguais durante as baterias; quero vencê-las em cada oportunidade que tenho nos trinta minutos disponíveis.”

 
 

 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 

Ver essa foto no Instagram

 

 

 

 

 

 

 

 

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

/* Add your styles here */

  

       

 
 
 
 
 

 

 

 

 

&nbps;

 

&nbps;

 

 

&nbps;

 

 

 
 
 

Bandeira brasileira

A decisão de representar o Brasil surgiu devido à Olimpíada (motivo pelo qual Luana deixou o Havaí para defender as cores brasileiras), além do desejo de honrar sua família e cultura. Apesar da criação havaiana, Luana sente-se mais brasileira do que americana. Sua mãe sempre transmitiu valores brasileiros desde sua infância em casa. No seu primeiro ano competindo no CT defendendo o Havai deu-se conta da força da torcida brasileira durante as competições – algo único comparado às outras nacionalidades – isso a tocou profundamente. “A Tati sempre dizia que o Havai estaria comigo onde quer que eu fosse,” afirma Luana. Ela destaca ainda como é especial receber apoio dos brasileiros tanto presencialmente quanto online.

Brasileiros unidos nas competições

“No circuito todo mundo é próximo um do outro; costumamos sair juntos.” A união entre os atletas brasileiros se torna evidente durante as comemorações coletivas como aniversários.

“Apesar da criação havaiana sinto-me mais brasileira do que americana”

Desafios durante o circuito

“Manter uma energia positiva pode ser desafiador às vezes,” admite Luana sobre as longas estadias fora de casa durante as etapas australianas.Certa vez chegou até sentir cansaço antes das baterias finais mas agora já está renovada para os próximos desafios.

Um tubarão na bateria!

“Na Gold Coast um tubarão interrompeu uma das minhas baterias,” lembra Luana rindo . “Após a pausa voltei nervosa mas entendi que estamos num ambiente natural.” Ela reconhece ainda que esse tipo de situação desafia suas habilidades.” Apesar dos desafios contínuos , isso ajuda a aprimorar suas capacidades.”

LEIA MAIS : Os limites da diversidade no futebol masculino .

Luana surfando na AustráliaFoto : Henrique Pinguim

Tatiana Weston-Webb

“Mantenho contato constante com Tati,” afirma Luana . Quando assumi a liderança do campeonato , liguei pra ela cheia de alegria . Tati , mesmo focada na maternidade , sempre me incentiva , compartilhando conselhos valiosos.” Ela é uma fonte inspiradora nessa nova fase da vida dela como mãe.”

Surfistas mães

“Admiro muito aquelas mulheres que conseguem retomar as competições após serem mães . Isso abre novas portas pra nós.” Ela espera ser mãe também algum dia . Cita Carissa Moore como exemplo inspirador , mostrando como é possível equilibrar maternidade com o alto nível competitivo.

LEIA MAIS : Fernanda Gentil , Cristiane Rozeira , Alline Calandrini e Natália Lara falam sobre a Copa do Mundo de2026.