Maison Ivy Tavares reinventa o sob medida ao transformar obras renascentistas em moda na coleção Le Jardin

CONTEÚDO APRESENTADO POR MAISON IVY TAVARES

Ivy Tavares, prestes a completar meio século de vida, enfrentou um grave problema de saúde que a deixou inconsciente por semanas devido a uma crise severa de lúpus. Durante esse período, os médicos informaram à sua família que havia uma probabilidade significativa de que ela não sobrevivesse. “Eu consegui superar, mas levei um ano para me reerguer tanto fisicamente quanto emocionalmente”, recorda. Esse evento se tornou um divisor de águas em sua vida: “Após ter minha rotina interrompida de forma tão drástica, decidi que o próximo capítulo seria moldado pelas minhas próprias decisões.”

Em 2024, Ivy decidiu deixar a advocacia, área na qual atuou por mais de vinte anos, e lançou sua própria marca de moda, a Maison Ivy Tavares. Essa nova empreitada é fruto da paixão que a acompanha desde sua infância, quando passava horas folheando revistas femininas para ficar por dentro das novidades do setor. Neta de costureira, a paranaense presenciou de perto o trabalho da avó em sua máquina de costura, admirando como o tecido se transformava em roupas. “Desde aquela época, o fazer sob medida faz parte da minha vida”, lembra.


Foto: Divulgação.

Ivy também acompanhava seus pais nos bastidores de uma confecção local. Ao invés de comprar roupas prontas, todas as peças da família eram confeccionadas manualmente por costureiras escolhidas pela mãe e alfaiates selecionados pelo pai. “Por isso digo que antes mesmo de conhecer a moda como uma indústria, conheci o ofício da confecção”, afirma.

Não é surpresa que a valorização do trabalho artesanal e a atenção aos detalhes sejam pilares fundamentais em sua marca. Dois anos após seu lançamento, Ivy compartilha as novidades: em 2026, a Maison Ivy Tavares inaugurou seu primeiro ponto físico em um bairro sofisticado de Curitiba e apresentou sua quinta coleção intitulada Le Jardin.

A criação da marca está profundamente conectada à sua história pessoal. Que anseio motivou a fundação da Maison Ivy Tavares?
O principal desejo foi devolver tempo ao ato de vestir-se. Queria me distanciar da velocidade que caracteriza grande parte do setor atualmente. Meu objetivo era produzir menos, porém com maior qualidade; trabalhar com materiais excepcionais e proporcionar o tempo necessário para que cada peça fosse criada. Para mim, hoje o luxo está ligado à atenção dedicada, ao tempo investido e à individualidade. No ateliê, as consultas são agendadas; conhecemos cada cliente em profundidade – seu corpo, sua rotina e suas referências – permitindo que ela participe ativamente do processo criativo. Essa interação é essencial porque o sob medida inicia-se pela escuta e não pela fita métrica. Desejo que nosso relacionamento persista além da entrega da roupa. Mantemos os moldes e construímos juntos um repertório duradouro.

Como você descreveria o DNA da marca?
O DNA da Maison Ivy Tavares não se concentra em uma única peça; ele está na construção cuidadosa do vestuário. Existe um rigor no processo de modelagem, costura e acabamento. Algumas peças possuem verdadeira arquitetura interna – algo que talvez as clientes nunca vejam, mas definitivamente sentirão ao vestir. Simultaneamente, sou apaixonada por cor, textura e estampa. Assim surge uma união entre dois conceitos aparentemente opostos: precisão técnica e liberdade criativa. Acredito que essa tensão é o que torna nossas roupas únicas.

Como ocorre o desenvolvimento criativo das coleções?
O processo começa muito antes dos croquis serem desenhados. Após minha transformação pessoal, passei a viajar mais frequentemente, visitar museus e exposições e explorar outros universos que sempre me fascinaram—como vinhos e gastronomia. Esse repertório inevitavelmente influencia meu trabalho criativo. Uma coleção pode surgir inspirado por uma pintura, uma paisagem ou até mesmo memórias pessoais. Partindo desse impulso inicial, inicio uma extensa pesquisa sobre cores, formas e materiais culturais antes de chegar ao desenho final e à escolha dos tecidos. Minhas coleções representam assim um compêndio de experiências vividas com mais presença traduzidas em vestuário.

A nova coleção tem como tema jardins. O que motivou essa escolha?
Le Jardin foi inspirada nos jardins retratados na história da pintura (Ivy é entusiasta das artes e patrona do Museu Oscar Niemeyer). Não queria apenas adicionar flores às roupas; meu interesse estava em entender como os artistas capturam a natureza—seus efeitos luminosos, as mudanças ao longo do tempo e as atmosferas desses espaços—e então trazer essas sensações para a coleção. O lançamento reflete diferentes momentos do dia: algumas peças evocam a luz suave da manhã; outras capturam a intensidade do período vespertino ou o drama noturno. Embora flores e folhagens estejam presentes nas criações, meu foco central é criar roupas que transmitam a experiência de estar imerso em um jardim.

Como essa inspiração se manifesta nas cores, tecidos e estampas?
Há uma forte conexão com as cores nesta coleção. Tons como verde, azul, rosa, amarelo e roxo aparecem ora sutis ora exuberantes nas combinações das estampas florais e paisagens artísticas ligadas à luz e movimento. Nos materiais utilizados na coleção estão presentes alguns dos principais códigos da Maison: algodão puro e seda são predominantes junto com linhos italianos e tweeds também italianos adequados para dias quentes. Gosto muito dos contrastes resultantes dessa combinação: a fluidez da seda contrapõe-se à estrutura do tweed; a naturalidade do linho dialoga com a pureza do algodão. Um jardim é feito dessas variações—texturas diversas e dinâmicas distintas—e Le Jardin busca captar essa riqueza.

A campanha de Le Jardin estabelece ainda fortes conexões com o universo pictórico. Como vocês desenvolveram essa proposta visual?
A imagem precisava ser uma extensão real da coleção – não apenas um registro superficial dela. Hudson Rennan conseguiu compreender isso com muita sensibilidade; baseando-se nas referências artísticas que compartilhei—principalmente pinturas renascentistas—criamos imagens quase como obras contemporâneas pintadas em fotografia. A escolha da modelo Daiane Conterato como protagonista trouxe uma nova dimensão às imagens: ela possui uma presença marcante e habilidade excepcional para sustentar visuais impactantes. O resultado reflete perfeitamente nosso momento atual—uma Maison enraizada na tradição artesanal rigorosa enquanto busca construir um universo cultural visual cada vez mais coeso.

 

Créditos:

Direção criativa: Ivy Tavares
Direção artística: Zé Alcântara e Rudy Sarnovski