Humberto Espíndola analisa a representação do boi em sua nova exposição

A história do boi remonta a mais de 10 mil anos, quando os ancestrais do gado bovino foram domesticados. Desde vestuário até alimentação, passando por produtos cosméticos e medicamentos, a espécie tem sido fundamental para o progresso e conforto da humanidade, sendo utilizada em sua totalidade. No Brasil, Humberto Espíndola é um dos artistas que melhor reconhece o valor desses animais, atualmente apresentando a exposição individual Entremeios na galeria MT Projetos de Arte, localizada no Rio de Janeiro.

Nascido em Campo Grande em 1943, Humberto dedicou sua carreira artística à representação do boi. Em 1967, ele lançou a série Bovinocultura, que foi apresentada na Bienal de São Paulo nos anos de 1969 e 1971, além de ganhar destaque na Bienal de Veneza em 1972.

A exposição carioca exibe tanto obras recentes quanto criações icônicas da trajetória do artista, incluindo uma sequência fotográfica da performance “Ritual do sacrifício” realizada na Fazenda Conceição no Pantanal em 1971 e um totem feito com chifres de boi que foi mostrado na Bienal de Veneza.

Abstração Rural I, 2025, couro pirogravado sobre madeira.
Foto: Gustavo Rain

As obras atuais apresentadas incluem pinturas, esculturas e peças em couro pirogravado – duas delas foram destacadas na reportagem “Nome aos Bois”, presente no recém-lançado Volume 03 da ELLE à Table, que discute a rastreabilidade e a sustentabilidade na produção da carne.

Na introdução da exposição, o curador Victor Gorgulho observa as múltiplas conotações que o boi assume nas obras de Humberto. Ele é visto como um símbolo regional, uma criatura mística convertida em matéria poética e um ícone político que toca nas questões relacionadas ao agronegócio.

Sem título, 2025, couro pirogravado e tinta acrílica sobre madeira.
Foto: Douglas Shineidr

Victor escreve ainda que “todos esses bois – e muitos outros – coexistem no imaginário de Humberto, que com eles cria um ambiente que transita com habilidade entre modernidade e contemporaneidade, entre o rural e o urbano, entre a realidade material e as dimensões espirituais”.

Entremeios, de Humberto Espíndola: MT Projetos de Arte, Travessa do Comércio, 22, Rio de Janeiro, RJ. A exposição ficará aberta até o dia 26 de setembro, funcionando de terça a sábado das 11h às 18h. A entrada é gratuita.

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