Silvestre mira o futuro: 2026 à vista

Momentos antes do início do desfile, nos bastidores, Gustavo Silvestre compartilha sua experiência de 15 anos à frente da marca que leva seu nome: “O crochê é uma inesgotável fonte de criatividade e transformação. Continuo explorando, pesquisando e me surpreendendo com os resultados. Meu objetivo é sempre ampliar os horizontes do trabalho artesanal”.

Essa declaração reflete duas ideias fundamentais: dominar a técnica permite uma enorme inventividade e há diversas maneiras de incorporar o artesanato ao vestuário. Esse sentimento prevalece após a apresentação da nova coleção de 2026 da marca, realizada na quarta-feira (07.10).

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
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Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

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No desfile, as primeiras peças destacam criações mais rústicas. Uma saia e mangas soltas confeccionadas com franjas volumosas de ráfia crua são combinadas a uma regata e bermuda jeans. Um top branco maximalista com pompons, montado sobre uma rede de crochê, é usado com calça pantalona também em denim.

Esse denim é um resultado da recente colaboração de Gustavo com a C&A para o evento Rock in Rio em setembro. As peças atuais e as daquela parceria foram criadas a partir do upcycling de estoques não vendidos da varejista. O stylist Dudu Bertholini aposta na combinação entre contrastes e semelhanças nas produções: “Optamos por equilibrar o artesanato com elementos de streetwear e lingerie exposta em algumas ocasiões, enquanto em outras nos jogamos no maximalismo e glamour”, explica.

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
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Após os looks mais urbanos e praianos, a marca apresenta seus conhecidos visuais festivos. Os vestidos recebem aplicações de pérolas, flores tridimensionais feitas com resíduos de seda e uma variedade vibrante de paetês em diferentes tamanhos. Essas decorações são criadas internamente e agora incluem opções inovadoras utilizando couro de tilápia. A combinação de pontos em patchwork e sobreposição de texturas gera volume, revela a pele e destaca a versatilidade das peças.

Uma temática central permeia a coleção, batizada como Original, que também serve como um convite ao resgate das raízes culturais e técnicas ancestrais. Além disso, é uma alusão aos casos de plágio que o estilista já denunciou ter enfrentado. Sob uma perspectiva antropológica, o passado se manifesta em vestidos que incorporam fragmentos de ágata – um detalhe que homenageia os primeiros acessórios elaborados por Gustavo com crochê e pedras brasileiras em 2011.

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite

Gustavo Silvestre, 2026.
Foto: Agência Fotosite  

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O designer Carlos Penna concebeu brincos, pulseiras e braceletes que misturam metal bruto e crochê, resultando em um efeito semelhante à pedra lascada. Outra colaboração foi realizada com a artesã baiana Janaina Milheiro,que atualmente reside em Paris. Reconhecida por seu trabalho detalhado com penas e plumas,ela já desenvolveu peças para grandes nomes como Valentino, Dior e Margiela. Aqui, ela enriquece dois vestidos com penugens brancas.

Resgatando suas raízes pernambucanas, Gustavo finaliza o desfile apresentando uma paleta ácida quase psicodélica. Os visuais volumosos fazem referência às cabeleireiras do Caboclo de Lança do Maracatu Rural – figura que Gustavo já trouxe para a alta-costura ao colaborar com Kevin Germanier entre 2022 e 2025.



Depois da introdução comercial exibida no início do desfile, o ato final realmente impressiona. Ele encanta o público ao demonstrar mais uma vez até onde pode chegar o crochê criado por Gustavo Silvestre.

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